segunda-feira, 16 de março de 2015

e:

nada é para sempre.
tudo dura um momento
- eis a grande verdade.

(Tetê Macambira)

domingo, 1 de março de 2015

POESIA A TRÊS MÃOS SAINDO DO POESIA DE LEVE COM RIMBAUD E FEITA SOB O BLUES DE FELIPE CAZAUX NO CANTINHO ACADÊMICO

uísque visto pelo microscópio

(André Santos, Tetê Macambira - participação de Ich Bin Weltschmerz)


me diz quanta loucura é preciso para espantar a lucidez?
me diz quantos malucos fazem um blues?
meu copo de whisky não revela meu estado de espírito.
um gole do que sinto embriaga toda a timidez.
quantos litros de felicidade são necessários para que o sorriso seja algo real?
beba, mas em cada gole, saiba saborear a loucura escondida e presa em teu ser.
essa loucura que te faz santo,
que te faz apóstolo abençoado e maldito nas esquinas e nos lares e nas igrejas e nos murmúrios…
o blues ataca minha ilusão de felicidade e lembro que a felicidade não passa de um pote no fim do arco-íris.
é preciso se iludir para sobreviver a cada dia, mesmo que eu saiba que a ilusão ilude.
preciso necessito dela como do monóxido de carbono que respiro.
e esse blues já meio rock já meio folk já meio fora de época aqui tocando dentro de mim,
coração cordis balançando de acordo com as ideias e acenos dos outros.
tenho mais de vinte, tenho mais de trinta - mas mais não quero ter, problemas já são muitos.
aplausos, por favor, seus putos, aplaudam o artista que tem a coragem
e a audácia de se apresentar na frente de tanta gente que não lhe diz nada,
aplaudam e aplaudam forte, seus baitolas putos esmerdeados que fingem curtir arte,
bando de pseudointelectuais e cult bacaninhas sacanas.
okey.. é tudo mistificação e paranoia, Lobato.. e..?
sempre foi e sempre será assim, qual é? qual foi?
vem cá e me traz esse beque logo.
que meu whisky ainda não chegou,
que esse pesadelo dói porque é real,
mas gosto de ouvir os poetas conversando sobre besteiras, sabe?
sobre drogas e entorpecentes… coitados! precisam.
precisamos. o que importa é que cada um tem seu próprio limite
e o meu já extrapolou e por isso paro além de mim. É assim.

Se permitir ser blasé diluído em álcool , 
absurdos e ( des ) esperanças , 
com pitadas de acidez e aquele amargo picante da nicotina 
                  -    ... Simplesmente delicioso 

restô d'ontê

na chuvarada, sem coragem nem fiapo para ir em busca do que comer na hora de almoçar. 
jeito então foi vasculhar restos de antes do tempo contabilizado mas não fossilizadas comidas sobreviventes - misturar e salvar. 
resultado nem sei dizer, mas foi a sequência de banana com paçoca, bruschetta de frango, uma taça de vinho e chocolate com amêndoas.
meu desespero agora é de ordem menor,  é de quando que terei de vasculhar geladeira e prateleiras outra feita atrás dos restos de ontem e de paratrasmente.
porque sabendo misturar... os restos de antes ou de ontem (restô d'ontê, como dizia Bete, mãe querida de uma amiga querida) viram banquete inopinado.

agora.. um cafezinho para finalizar - com canela. 

(Tetê Macambira)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Noctâmbulos



Emanuel Régis e Tetê Macambira        Fortaleza, 15 de agosto de 2012)

Pois é noite.
A noite que os homens translúcidos de febre
enfrentaram em forma de sal e sombras num infinito século XVI
Pois é noite.
E eu, homem do século XXI, sul-americano
ainda reconheço  como a uma irmã
e sei que não me pertence
como nunca, a ninguém
Pois é noite
E os sonhos de duas mil gerações
Repousam sobre o meu corpo de 30 anos
sem traição, que não seja a da tristeza
Pois é noite
E a alegria das luzes das esquinas
Renova cada grão feroz do tempo
Que as fotografias não conseguiram cristalizar
E os relógios não marcassem os segundos
Mas tiros de canhão sobre a minha mente
e cada grão de areia nos meus sapatos
me ensinasse a beleza dos precipícios
Pois que ainda é noite
e as páginas viradas não me pertencem mais,
memórias, apenas histórias e estórias para contar
em noites de bebedeira com uma que não é mais eu
(era, mas meu tempo de agora é o presente em que vivo)
narrativas longínquas meio verdadeiras meio fantasiosas
- posto que tempo e distância a tudo embruma –
mas que me ouvem perplexados de tê-las vivenbrincado
e não me esqueço nunca de que minha noite, na real,
é este momento em que risco essas letras no quintal cheirando folhas de malvarisco
Pois é noite.
E não se pode parar para nada, apenas vive-se.
Apenas vive-se, como se alternativa nula
Como se o tempo, um brinquedo inofensivo
Como se os dias, uma ilusão do pensamento
E a morte, essa alegria inenarrável,
Brincasse sobre os meus cabelos brancos
E me ensinasse que sob o  contato frívolo
com outro corpo, outra verdades revelasse
e cada boca, que beijava minha boca
e com sexo, que tocou o meu espírito
fosse, não uma carícia , mas uma lição
que os passos sardônicos dos dias
marcou sobre o meu corpo precário
E a noite continua incólume (embora eu a sinta gota a gota)
E o tempo me é anacronicamente inviável
já que meu tempo é meu e não paro para medir-lhe  a circunferência
Pois há noites  e noites  nos anoiteceres
e que,  se se para a fim de se mensurar cronologicamente,
para-se
e não se vive e a(s) minha(s) noite(s) passa(m)
e as luzes e as risadas e as tristezas
e os vômitos de declarações anódinos dele e dela
e minhas desilusões e meu dinheiro e essas anáforas infelizes
se passam em várias noites feericamente apagadas
do subconsciente da minha percepção astral
A minha noite é esta. Meu tempo é este.
O que me passou, memórias. O que virá, surpresas.
O que virá, surpresas? Não, certezas
sob as notas incertas que se desprendem
do sol que me banha a cada dia
Mas o dia, como um amigo a quem não confio
Há de trazer-me no discurso feito de brumas
uma verdade feita de labirintos
um coro, feito de cantores cegos,
em que cada porta será um deus
sem correntes, sem cordas, ou um demônio
em que minhas mãos ou os meus pés
acreditarão, como uma casa
em que não  tenho certeza se algum dia morei..

Andava


- Sonhei com você ontem à noite.
- Foi?! Me conta, vai!
- Ah! Simples: eu andava e andava, sob chuvas fortes e tenebrosas, sob sol causticante - e você, sempre lá comigo, ao meu lado.
- Nossaaa.....
- É, mas aí, felizmente, acordei.

(Tetê Macambira, 25 / 04 / 12)

(título sugerido por Jackie Pereira)

Com o coração nas mãos


Tive que fazê-lo.
Doeu.
Nele. 
Em mim.
A sensação de ter o coração dele sangrando em minhas mãos
não dá aquela pretensa sensação de poder
nem tampouco nenhuma vingança
- nada disso.

Dá é vontade de correr atrás dele e soldar com beijos o coração de volta no peito.

(mas isso já não me cabe fazê-lo; não mesmo)


(Tetê Macambira)

imagem não-autoral

Desabafo


Devia mesmo era pegar o trem para chegar à tua porta.Mas uma D.R. agora me sabe assim despropositada. Não te quero, apenas.

Desejo - somente! - um esconderijo que me recolha e me deixe dormir sossegadamente neste findi.Enquanto não me decido o rumo tomado, sento sob a brisa que me põe os cabelos à boca minha e me despenteia as ideias. Ah, santa Bohemia! Flashback no ar. Uma lágrima se me escoa do canto externo do meu mais esquerdo olho.  Que há? apenas a força de tantos bocejos amiúdes.
Sono.
Cansaço
Dormir
            Ao teu lado?
                                 - não o sei.

(Tetê Macambira