quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Insônia boa

Amanhece tão sem nem sentir
E anoitecendo cá em meus interiores
....
Insônia gostosa - de me fazer sorrir.

(Tetê Macambira)

[Dadá tem Maraponga na boca]

ao meu amoroso Talles Azigon



Dadá tem Maraponga na boca 
Na boca dos outros 
Tudo roxo aqui, meu bem 
Meu Amoroso voltou baianando 
Gosto de ouvir a risada derretida dele 
Gosto de ouvir suas reticências
(rio - com ele! - das reticências)
Pergunto-lhe o que ele não me queria contar. Adivinho meia história. Calo.
Encho boca de farofa.
Quebro copo.
"Eu te disse que eu era problema".
- mas dizem quebra energias más
Ai, oxalufiã que sim!!
Inteireza ariana registra
Jung nos olhos líquidos que se riem.
Ela ri-se de tudo, me diz, rindo.
(e ainda me dizem de leve...)

Mas... ciclicamente...
A vida, ela, espreita despedidas.
"Mas esta noite,"..... Talvez. 


(Tetê Macambira)

Botasss


As botas que calçam 
causam desassossegos em ruas
cansam corações juvenis
amansam olhos feminis

Pisam em teus desejos viris.

(Talles Azigon & Tetê Macambira)

- Quem disse que no lixo não há diamantes?

  • Quem disse que no lixo não há diamantes?
Eron Júnior & Tetê Macambira


Minha vida, rascunhos
- assim também meus escritos,
são exercícios; o "lixo", por assim dizer
- experimentações mal acabadas
que me definiriam, talvez,
  • Aterro podre do que passou
    Passou e não ficou,
    Passou e não vingou,
    Eu, continuação de descontinuidades vividas por outros
  • Outras vivências inadequadas
  • outros viveres estranhando-se
  • o se entranhar em meus dentros
  • E eu, que nem sei onde me deixei
  • Que nem sequer me reconheceria fora de mim
  • Os meus dentros,
    Ou os meus poços,
    Ecoando água sem fim
  • Num desatino em que vejo passarem os "lixos",
  • raiados de sangue e rajados de medos
  • meus falhos exercícios faltosos
  • fetos ideológicos abortados
  • sonhos natimortos - tudo o que deveria ser
  • e nunca nem chance alguma existiu.
  • Oh filho raiado de sangue e rajado de medo
    Aborto do ventre encéfalo
    -Não ser-
    Sonho abortado pela vida
    Ou eu ou você
    Tem o direito à vida
    Não há espaço aqui
    Um só pulmão deve respirar esse ar pesado
    -carbono, carbono, carbono-
    Filho simbiótico do paterno
    Na velhice me visitas
    Com outras roupas
    Chamadas nostalgia
  • e, nesse momento porvir, que me direi eu?
  • que bem me vivi a vida dada e ofertada?
  • que nem aproveitei o que me fora possibilitado?
  • acenda meu fogo, queime o disco lentamente
  • quero a melhor gravação de meus passos passados
  • track por track, faixa azul por excelência
  • queimando os dedos da mão esquerda
  • relaxando ao som de outroras enquanto
  • o futuro que vigio me convoca maciamente
  • Futuro macio, macio e venenoso
    Repousando sua mão sobre minha cabeça
    Acariciando minhas memórias
    Sussurrando Cartola no meu ouvido
    Que perguntas me faço?
  • E de que me adiantam perguntas
  • se não existem respostas?
  • Único trilhar: seguir criando erroneamente
  • meus lixos, reciclando, quiçá!, os alheios,
  • regurgitando e ruminando os rascunhos
  • mal traçados e nunca acabados
  • (vai que algum… enfim!)
  • - até que se perceba, um dia,
  • que não é ter belas palavras
  • nem respostas certas
  • : mas se tentar, inexorável e incansavelmente.
  • Tentando reciclar o lixo
  • Transformar o passado sujo e resto
  • em algo valioso
  • - Quem disse que no lixo não há diamantes?
  • - Diamantes nas mãos de mendigos -
  • No meu caminhar
  • Cobrar os tropeços das pernas
  • A tremedeira das mãos
  • O palpitar arritmado do miocárdio
  • O lubrificar dos lábios
  • E reunir a psicodelia do corpo a corpo
  • Extraindo, dos lixos nossos de cada dia,
  • o que acharmos de brilhantes verdadeiros.


(Eron Júnior & Tetê Macambira, em 16/09/15 às 17h18)