segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Poetas de Cidade & Sarau na B1 - primeira ocupação

SOBRE A NOITE E MADRUGADA DE SÁBADO, 21/11/15:
- Mas o que foi isso?; aquele povo que a gente pensava só curtisse e não fizesse mais nada... organizando evento de poesia? de POESIA?....
- Pois é... pra você ver, né? e prometem voltar é todo mês, agora!
- É sério isso? é sério? ...
- Dia 12 agora de dezembro, doze do doze, eles prometeram voltar.
- E afinal, quem são eles?
- Poetas de Lugar Nenhum.
- Mas.. se eles não têm lugar, por que aqui?
- Ah!... isso eu não sei.. mas acho que a gente pode perguntar, né?
- E como? indo conferir no dia doze do doze.
- É... POESIA. Todo mês. E Poesia de Lugar Nenhum. Conferir isso daí.
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O que houve foi que a Poesia venceu.
O que houve foi que os Poetas de Cidade surgiram,.
O que houve é que a Poesia sempre salva.
O que houve foi gente que ama Poesia que se juntou. Objetivo? - levar Poesia para todo e qualquer lugar de qualquer cidade. Porque a Poesia tem um lugar: o outro. Onde o outro quiser saber de poesia, estaremos lá!
E avisamos de saraus ocorrendo na cidade!: por exemplo, doravante,  a cada penúltimo sábado de cada mês, na Praça da B1, a partir das 19h - a partir das 18h, música - começa o recital.  E microfone aberto! Depois, saudar o sol com versos bêbados de lucidez e Poesia.
Abaixo , o registro fotográfico feito por Jefferson Costa e Eunice Mariah do primeiro Sarau na B1 - ocorrido no sábado, dia 21/11/15.


domingo, 22 de novembro de 2015

Estamos sem retorno

Estamos sem retorno
(Tetê Macambira)
Porque não se pode ver o mar
Olhos aflitos do passado em que ficou
Carinho em canção convida a superar
Helênica terra longínqua saudosa
Pegar estrada perder rumos e
Nunca mais retornar ao que já se foi
E a lição do camponês que sabia bem a língua
Embora não se fosse reconhecida
E as vozes param e ouvem gravações musicais
E o coração pesa.... sente.... mas fica leve.
O absinto que não bebi tinha malte
e talvez por isso nenhuma fada verde
nem roxa nem negra
tenha vindo me auxiliar.
Vida sem absinto: rumo sem retorno.

Quero sair daqui

Quero sair daqui
Minha casa me convoca
Morrison me espera
Felipe me atende
: possibilidades infinitas
(ou quase assim)
Chegar é respirar poeira.
Mas minha.
(. Tetê Macambira)

Poesia de Cidade

A Poesia não tem lugar 
não tem sexo 
não tem parede 
não tem limite. 
A Poesia espalha-se de cidade em cidade
extravasa além do infinito.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Obducto # 17



Chuva. Xô, carapanãs, 
que ar úmido pesa nas asas.

(Tetê Macambira)

Obducto # 16



Desejos naturais. Vontades primais.
Girândola de cores odores e sabores.

(Tetê Macambira)

[Boa noite]

Boa noite.
O sarau, as pessoas...
Leve, tudo leve.

Mesmo "Meu negócio é outro.
Tenho outra filosofia."

(Tetê Macambira)

[Mais de sete golpes d 'água]

Mais de sete golpes d'água
Os químicos antividas salvadores
de doze em doze horas mal-contadas
um relógio que pontua muito forte cada minuto
E esse sono de antes das três
Cerrar janelas e acender candeias da imaginação.

(Tetê Macambira)

Gaiola



Leve-se leve
Mesmo sob Gaiola
Olhar por trás fios
O verde ainda te espera

.- Edson, mais uma!

(Tetê Macambira)

Nobuk



Mãos nobuk.
 Fetiche meu.
 Marrom  Xangô.
 Força no manejar. 
Evoé! - estudos, indo!!!
 Em 3, 2... Já!. 

Sobre o dia do escritor




(Tetê Macambira)

Assim: de repente e sem querer
o reggae e o rock e o blues e o rap e o Villa-Lobos
sucedendo-se em minha cabeça,
passando pelos meus dedos trocando spotify
(mas ainda saudosos por demais do grooveshark)
e alguns versos vêm me visitar, mas tudo tão de passagem que nem sei!

E me chega, assim, do nada! a data de hoje.
Dia do escritor. 13 de outubro.
E fico matutando com os elásticos de meu vestido:
- Afinal, o que diabos significa ser escritor nos tempos de hoje?
A pessoa se achar a si mesma, vanitosamente, escritor?
Outro escritor reconhecê-lo como companheiro de escrita?
Alguma editora ter-se proposto a publicá-lo?
Os críticos aclamarem e aceitarem-no?
Ou... (pior!!!).... o tempo e historiadores definirem?

Mistérios da arte de escrever
que, como qualquer outra arte,
é realizada por gente para outras gentes.
: e isso, de envolver gente, já diz tudo....

De qualquer modo...
Parabéns a quem se esforça em fixar nas palavras
os incômodos internos - e em compartilhá-los.
Porque todos sabemos: escrever é suor e lágrimas e sangue.

hematita



engrena engrenagem hematita
couro a ser substituído argênteo

Eu leve



Leveza na alma
um olhar sobre as coisas e as pessoas
simples, direta, BRASILEIRA
fazendo de conta que tem charme
a tal de passar da conta
gata das selvas e levas
amante da literatura
a que escrevinha muito
amiga professora revisora
entre letras e rimas, extrai um poema
elegante em meio à biblioteca
de letras e de uaus
- apenas olho, olho bem
para ver se aprendo
enquanto me divirto
junto aos meus amigos
(sempre tão gentis com palavras tão doces)

- obrigada, povo, pelo apoio doce e firme
que, generosos, oferecem a esta que se assina
como Tetê Macambira . 

Mais um absinto



perdi meu coração numa sala qualquer
o azul que se me foi transmudou-se me pedra
que acalentado hoje por entre seios
nega afetos além desnecessários
as dores lembranças ainda se me penduram 
e tudo que quero tenho penso - nem sei se sou
: apenas um dia após o outro ver sol e lua
nascendo e morrendo - infinitamente
( infinito então seria mortes cíclicas?)
não busco respostas nem as dou
meus versos, perguntas retóricas.
CHEGA!

- Garçom, mais um absinto!

(Tetê Macambira)

Absorta no meu absintinho


(Tetê Macambira)

Sintam distância e ausência da artemísia
Não me peçam para fungar meu funcho
Metam o nariz em outra coisa de vocês
Minha losna longe de suas abas olfativas
Vinde a mim a tujona com a doce erva
Angelicamente pontuam estrelas de anis
Macerando em torno de setenta Lussac
o amargor e a angústia se dissipando.
Destilando e eliminando cabeça
e também a perigosa cauda
- seleção que vai se evaporando.
Verde que pode macerar mais
- mas tranquilamente de leve -
Melissa, Veronica, Macela
- convidadas a dialogar.
Sabores s mais frescos.
Garantidos aroma e sabor
- mas não me venham meter esse nariz aqui!

Absinto se sente com as papilas,
não com cílios nasais.

Estudar



Cansei de estudar
Vou cair na estrada
Vou erguer o polegar para caminhoneiro
Depois, roubar o caminhão quando ele for no banheiro

Ou então.... Vou beber uma Heineken
Respirar fundo
Parar de viajar na maionese
- e voltar a estudar.

Tschüss! (é assim que se escreve?)

assim triste


Fermé



Portas fechadas.
Janelas cerradas.

Meus olhos em alerta.
 

Obducto

Expectativas desligadas e guardadas.
A chuva  pede silêncio para ser ouvida

obducto



Se a vida é vista de frente,
Por que não seria melhor vista de cima?
(Tetê Macambira)

Absinto


Absinto provoca alucinações? 
Oh, e como!
 Parece que me vejo no fundo desse copo!
 - serei eu uma das fadas verdes, irmã da que fazia crescer tulipas nas pernas de Oscar Wilde? 
ou da que minimiza as excruciantes dores da doença degenerativa de Toulouse-Lautrec?
 talvez da que fez Van Gogh cortar com um sorriso a própria orelha? 
Enfim!
Que os quase 75% de álcool associados à losna 
bloqueiem temporariamente os neurotransmissores certos
 para que a fada verde possa contar histórias de além desta dimensão.
(Tetê Macambira)

Iemanjar


Absinto-me

Eu mais que sinto:
                              Eu absinto.

(Tetê Macambira)



Leões na praça




Porque a vida sob o sol é quente
As pessoas deslizam-se frescas
Sabendo a promessas de rios
E murmurares de cascatas doces

Sei

SEI
(Tetê Macambira)




Sei, sim, que a vida é curta, muito curta
Sei, em, que um mundo todo ruge lá fora.
....... mas curto - também! - este chamego rosa.

Vida em ciclos

A vida é composta de ciclos. Fechados. Finitos.
Círculos concêntricos, na verdade.

Imagine-se jogando pedrinha em um lago...
                   forma-se um círculo... 
                             que se abre e forma outro.. 
                                                            e outro... 

É assim mesmo a vida: 
cada fase é um círculo que se conclui
 para que possamos,
 com a experiência do círculo menor, 
passarmos a um círculo maior de experiências.

Num crescendo - até finir. findar.

pulinhos no mar


...sete pulinhos
que ontem foi de odayá
proteção bênção e luz
força sabedoria fé
amar-se demais
sete vezes sete
água do mar
sal do mar
moça no mar
maiô molhado
sal e água no corpo
foram só sete?


(resultou 7 vezes sete)

[madrugada escrevendo]



madrugada escrevendo
madrugada cafeínas e delícias
madrugada tão escocesa amiga
gaitas de foles corvus corax
word e nuvens e dedos tecladores
.. e mais linhas querendo sair
roedorazinha rodando lemniscatamente
nas linhas onedrive toda em ouros
madrugada de escrevinhações

Poesia invadiu minha vida


Poesia invadiu minha vida
Minha irritação, minha indignação
não aguentando mimimis
nem tampouco bubububus... 
você aí! cheio de autocomiseração
saiba que estou Bukowski, Bukowski:
"sem paciência para as coisas sem alma."
Sem alma para o que não há poesia.
LEVE poesia; seja poesia, expire poesia.
Senha para este momento da vida.
(Tetê Macambira)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Obducto #013

Sol lambendo os vidros das janelas:
barulhinho que me desperta o sábado.

(Tetê Macambira)

Chuvinhando

Chuvinhando
(Tetê Macambira)



Finalmente! - chuva
Cheiro de mormaço me acalentando
Barulhinho de chuva me acalmando
- vontades de ganhar madrugada plena e nua.
Chuvinha que molha meus desejos de ir
Água serenando quietudes tardias
Hábitos de chuvinhas da tarde não esmorecem
Mas...!!! - também acendendo libidos
Suspirando por estar molhando-se de nuvens
Nefelibata suspensa por entre mundos tácteis
Provocações à flor da pele e dos nervos
Gemidos ascendendo caminhos por lá -de-dentro.
Chuva molhando instintos aquecendo delírios
deleitando aromas e saboreando sensações
Maresias que não me vêm; mas eflúvios fluviais
Chuva. Molhando ideias de antes e de agoras.

Segunda-feira


Segunda-feira


Meditabunda.
Abichornada.
Sorumbática.
Macambúzia.
Abetumada.
Atrabiliária.
Merencória.
Enfarada.
Dolente.
Nublada.
Banzeira.

Spleen. Black paliativo.

(Tetê Macambira )

absinto

Eu mais que sinto:
                               Eu absinto.

(Tetê Macambira)


Três golpes de luz


Tome três golpes d'água ao acordar. Sentença da fabulosa vó do amoroso amigo
Faço mais!: bebo luz catalisando-a em difusa água dita mineral. Beber luz. Arrotar versos. Arder couros. Poesia de circunstância solar.
Eu, embriagando-me de raios e fusões nucleares, linhas espectrais de metais ionizados e neutros, velocidade relativa à radiação cósmica da Taça.

Obducto # 014

Houve tempos que orelhas em dupla feitas mais de ouvir. Brincou-se tanto em lóbulos e cartilagens - boca venceu.
(Tetê Macambira)

Ele

Ele
Amanhecer tarde. Pular janela, Pular caminhada. Pular da cama e para a rua. Ônibus muitos. Nenhum vazio. Nenhum parando. Todos mais que lotados. Raiva dessa vidinha. Zanga dessa quinta-feira. Ódio do Governo. ...
Sorriu-se, de num instante. Lembrou.
E ele.
(Tetê Macambira )

Vingança

Ninguém poderia dizer que não havia tentado. Tinha, sim.
Aguentou o quanto pode. Mas.... não era santo, que diabos! Queriam o quê? Não podia fazer nada, tudo estava errado, só eles que sabiam o que era certo, é? Mas não deu mais.
E matar todos eles nem lhe apazigou a dor lá de dentro.
Vingança vazia.

Sei

SEI
(Tetê Macambira)

Sei, sim, que a vida é curta, muito curta
Sei, bem, que um mundo todo ruge lá fora.
....... mas curto - também! - este chamego rosa.