sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Meu doce amargo

Meu moço é um doce de pessoa
mas só quem se aproxima sabe-lhe o amargo
Meu moço me comove feito o quê
trazendo-me uma rosa bem rosinha
da qual ele tirou espinhos todos
(e o band-aid no dedo dele me dói sob o olhar)

Meu moço é um doce de pessoa
que se sorri a todos na. rua
e esconde a lágrima presa no cílio em meu colo
- a amargura líquida da lágrima pesa no meu peito
(e ele logo enxuga e sorri-me, vexado)

Meu moço é um doce de pessoa
que aguenta calado as porradas
que sofre quieto o amargo sangue das suas feridas
(cicatrizes bem escondidas sob roupas,
mal percebidas na meia-luz de meu quarto)

Meu moço era um doce de pessoa
que o amargo nó do baraço levou toda doçura
(e eu choro por não ter feito nada
que lhe suportasse o sobreviver)

Meu moço era um doce de pessoa
que a amargura dos outros destruiu
e agora é tarde para se arrepender
de nada ter feito;
fui-lhe insossa; nem amarga nem doce.

🌾🌾🌾🌾

[poesia construída para o setembro amarelo]