terça-feira, 12 de maio de 2015

Para tua insônia


Que a manhã seja memorável
Que os louva-a-deus nos encantem
Que troquemos a lassidão pelo ânimo
Que nos absorvamos nas nossas buscas
Que nunca paremos de respirar leve (enquanto vivos)
E que tudo possa ser mudado, assim, do nada. 

.... mas que possamos dormir sossegados
sem sentirmos o cheiro de plástico queimado.

(Tetê Macambira)

Luz perdida


A cidade anoitece. 
Muitos vão.
Poucos vêm.

Eu, parada.
Cotidiano. Luzes.
Uma luz ali que perdi.

- E nunca experimentei vinho de peras.

(Tetê Macambira)

flores de maio no meio de Camus


Flores de maio
No meio do caminho
Camus me diz do absurdo e da revolta.
E as flores de maio sorriem-me
como quem diz: Sísifo, sobe logo!
deixa-te de lero-lero!

Gato, rebeldia que me faz rir.
uma revolta na revolução de cabelos suados
eu, gargalhadas impertinentes

Absurda contramão.
Dramática interação.
Um carinho à base de Camus
Academia dissolvendo máscaras
recriando bonecos
marionetando momentos
estabelecendo caminhos.

(Tetê Macambira)

de mãos dadas


Não sou Drummond
mas canto o dar de mãos
Simples e mudo e tranquilo e leve
Como um passeio pelo Salão de Abril
- tão natural como gostar de alguém
ao ponto de querer-lhe o bem
ao ponto de querer protegê-la
ao ponto de querê-la melhor para si mesma
ao ponto de lhe dar as mãos.

Gostar.
Gostar se traduz assim.
Gostar também é se dar.
Mesmo apenas as mãos.

(Tetê Macambira)

Tempo em mim


O tempo urge. 
A vida ruge. 
O momento age. 

A lua na lage
O sol não arde
Tempo de ontem
Chuvas do bem

Eu... Nuvem.

(Tetê Macambira)