: foi a pergunta provocação
lançada na rede social.
E sem saber do experimento, amigos responderam
e respondi-lhes com versos circunstanciais
(imitação de Bandeira via Mafuá do Malungo)
usando nome da pessoa e a palavra favorita dela.
Renderam dez filhotinhos esganiçados
(mas tem uns até bonitinhos!)
bicando palavras e esgoelando sentimentos.
a.
Sabe saudades de quem nunca se viu?
sabe saudade do que nunca se teve?
o 3x4 virtual do perfil não me define
o 3x4 virtual do perfil não te define
mesmo assim
mesmo assim
Tetê vê moço Lourão
Lourão vê sapeca Tetê
temerosos,
tateantes,
reconhecem-se...
e um longo e cheio de saudades de um ABRAÇO!
b.
nas nuvens de algodão
flutuam pensamentos repartidos
máscaras de ilusão caem dos rostos
veem-se espinhas e rugas
mas Rafaelle olha
em-pe-der-ni-da-men-te
e me diz, toda linda:
- Vamos viajar?
(e eu viajo no sorriso dessa moça)
c.
- Um abraço, moço, é de grátis!
E Anderson deixou-se abraçar pela palhaça triste na praça.
Mal sabia esse moço que o abraço era grátis, sim,
mas era mais dele para ela.
Porque quem se doa é quem menos precisa.
E Anderson tem coração assim: de se dar,
todo grátis,
todo ele,
todo momento.
Para depois de guardar para si.
Grátis: um sorriso e um aceno.
d.
Tu sabes por que Mere é amável?
porque é do tipo que cuida
e quem cuida, saiba, é quem pensa em.
E todo mundo sabe que quem pensa em
é porque ama.
Mere - amável porque pensa no outro.
Moça, eu te cuido estes versos de ternura.
e.
O conhecimento da vida,
o conhecimento do outro,
o conhecimento do lugar,
o conhecimento do mundo -
Ricardo buscava conhecer o conhecimento,
parte por parte, passo a passo,
mas o mais importante de tudo:
que nesse processo investigativo
ele busca o autoconhecimento.
f.
David acordou plena quarta-feira já madrugando
e estabelecia um diálogo dele com seu super ego
quando o Id, de penetra, infiltrou-se na conversa.
David acha que foi um dos dias mais produtivos:
quando ele, aparentemente sozinho,
transformou um diálogo em uma mesa redonda
com ele e seus substratos (por enquanto) homônimos.
g.
menina chorando,
sorriso de Stefane -
sorriso cansado mas bravio
mulher infatigável em seu cotidiano
(adoraria uma folga, mas... folga só!
para sentir mais saudade de sua própria vida
construída com garra e sorrisos)
porque Stefane é desse jeito, sabem?
mulher que se constrói e reconstrói mundos
h.
Lee sorvia lenta e suavemente seu drink azul
seu jeans rasgava no meio do caminho
uma mão ébria verificava rasgo
- ops! desculpas... não queria rasgar mais
o beijo azul era por causa dos drinks
mas o desejo rosa, reflexo dos cabelos
- e o sol adormecia em carmins lençóis.
i.
Brasil era pai e filho de si mesmo
mostrava cara e tacava peito
ofereciam-lhe cubanos
mas ele, rindo de malícia,
queria saber mais dos cubanos
e de seu povo e de sua luta
que somente dos mais finos charutos
- porque Brasil admirava, de longe, os cubanos.
ai, ai... quem dera...
j.
Sovina de souvenirs
ela guardava ciosa e secretamente
seus mais doces souvenirs
bem longe das formigas cortadeiras
tinha medo que lhe dilacerassem os doces
- e cada doce souvenir tinha, na canastrinha,
um rosto, um nome, um perfume e um momento
cristalizados na memória de maninha Brenna.
Porque ela é dessas!: de guardar momentos
com zelo e bons tratos os doces instantes vividos;
seus doces souvenirs.
k.
Quando moça Kácia está bem, feliz, tranquila
uma coisa eu te digo, seu moço,
não é excesso de amor,
não é tese concluída e entregue,
nem Brasil com justiça;
mas boleto pago foi o ansiolítico usado!
l.
Suely precisa de quê?
comida mas não tão somente
comida de se comer
mas comida de se sentir
comida de se saber
comida de alimentar alma
comida de alimentar coração
- óbvio que junto com um bom prato!
m.
Herlane é moça de pegar onda
(às vezes tira onda),
de encarar tubos de mar
de imitar Jesus sobre águas
de sorriso de algas
de olhar de raio refletido sobre mar
Herlane Jeane: moça de amar mar.
n.João Paulo caiu
não no roto
mas no gosto
gosto musical bom
que caiu bem no meu coração.

