quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

[poesia] Experimentos do Mafuá do Malungo

- Qual sua palavra preferida?
: foi a pergunta provocação
lançada na rede social.
E sem saber do experimento, amigos responderam
e respondi-lhes com versos circunstanciais
(imitação de Bandeira via Mafuá do Malungo)
usando nome da pessoa e a palavra favorita dela.
Renderam dez filhotinhos esganiçados
(mas tem uns até bonitinhos!)
bicando palavras e esgoelando sentimentos.

a.
Sabe saudades de quem nunca se viu?
sabe saudade do que nunca se teve?
o 3x4 virtual do perfil não me define

o 3x4 virtual do perfil não te define

mesmo assim
mesmo assim

Tetê vê moço Lourão
Lourão vê sapeca Tetê 

temerosos,
tateantes,

reconhecem-se...

e um longo e cheio de saudades de um ABRAÇO!


b.
nas nuvens de algodão
flutuam pensamentos repartidos
máscaras de ilusão caem dos rostos

veem-se espinhas e rugas
mas Rafaelle olha
em-pe-der-ni-da-men-te
e me diz, toda linda:
- Vamos viajar?
(e eu viajo no sorriso dessa moça)


c.
- Um abraço, moço, é de grátis!
Anderson deixou-se abraçar pela palhaça triste na praça.


Mal sabia esse moço que o abraço era grátis, sim,
mas era mais dele para ela.

Porque quem se doa é quem menos precisa.
Anderson tem coração assim: de se dar,
todo grátis, 
todo ele,
todo momento.

Para depois de guardar para si. 
Grátis: um sorriso e um aceno.


d.
Tu sabes por que Mere é amável?
porque é do tipo que cuida
e quem cuida, saiba, é quem pensa em.


E todo mundo sabe que quem pensa em
é porque ama.

Mere - amável porque pensa no outro.
Moça, eu te cuido estes versos de ternura.


e.
O conhecimento da vida,
o conhecimento do outro,
o conhecimento do lugar,

o conhecimento do mundo -

Ricardo buscava conhecer o conhecimento,
parte por parte, passo a passo,
mas o mais importante de tudo:
que nesse processo investigativo
ele busca o autoconhecimento.



f.
David acordou plena quarta-feira já madrugando
e estabelecia um diálogo dele com seu super ego
quando o Id, de penetra, infiltrou-se na conversa.


David acha que foi um dos dias mais produtivos:
quando ele, aparentemente sozinho, 
transformou um diálogo em uma mesa redonda
com ele e seus substratos (por enquanto) homônimos.


g.
menina chorando,
sorriso de Stefane -
sorriso cansado mas bravio

mulher infatigável em seu cotidiano
(adoraria uma folga, mas... folga só!
para sentir mais saudade de sua própria vida 
construída com garra e sorrisos)

porque Stefane é desse jeito, sabem?
mulher que se constrói e reconstrói mundos


h.
Lee sorvia lenta e suavemente seu drink azul
seu jeans rasgava no meio do caminho
uma mão ébria verificava rasgo

- ops! desculpas... não queria rasgar mais

o beijo azul era por causa dos drinks
mas o desejo rosa, reflexo dos cabelos
- e o sol adormecia em carmins lençóis.


i.
Brasil era pai e filho de si mesmo
mostrava cara e tacava peito
ofereciam-lhe cubanos

mas ele, rindo de malícia,
queria saber mais dos cubanos
e de seu povo e de sua luta
que somente dos mais finos charutos
- porque Brasil admirava, de longe, os cubanos.

ai, ai... quem dera...



j.
Sovina de souvenirs
ela guardava ciosa e secretamente
seus mais doces souvenirs

bem longe das formigas cortadeiras
tinha medo que lhe dilacerassem os doces
- e cada doce souvenir tinha, na canastrinha,
um rosto, um nome, um perfume e um momento
cristalizados na memória de maninha Brenna.
Porque ela é dessas!: de guardar momentos
com zelo e bons tratos os doces instantes vividos;
seus doces souvenirs.


k.
Quando moça Kácia está bem, feliz, tranquila
uma coisa eu te digo, seu moço,
não é excesso de amor,

não é tese concluída e entregue,
nem Brasil com justiça;
mas boleto pago foi o ansiolítico usado!


l.
Suely precisa de quê?
comida mas não tão somente
comida de se comer

mas comida de se sentir
comida de se saber
comida de alimentar alma
comida de alimentar coração
- óbvio que junto com um bom prato!


m.
Herlane é moça de pegar onda
(às vezes tira onda),
de encarar tubos de mar

de imitar Jesus sobre águas
de sorriso de algas
de olhar de raio refletido sobre mar
Herlane Jeane: moça de amar mar.

n.João Paulo caiu
não no roto
mas no gosto
gosto musical bom
que caiu bem no meu coração.



[poesia/crônica] no leque aberto de um pavão

Sempre achei pavão bicho doido
de que serve além de abrir suntuoso leque na cauda
mais soberbo que destaque de escola de samba na Sapucaí?
- e 100% natural! sem silicone nem plástica nem cirurgia!

Em casa havia dois pavões de metal na parede sobre o sofá
eternizados na parede da minha memória infantojuvenil
E eu achava estranho mãe ter escolhido aqueles bichos
coisa esquisita!; fossem cães! fossem gatos! - mas pavões!
mãe respondia, olhar vago "são bonitos" - nunca entendi
(hoje suspeito mãe, espartana que era, no fundo uma vaidosa)

E pavões em filmes quando vilões vaidosos e nababos apareciam.
Pavão virou símbolo, para mim, de superficialidade.
Depois, nos estudos de religião, descobri havia um sobre pavões.

Nada do que li, ouvi, foi representado me preparou para o alumbramento:
Cariri... estava nem sei onde, mas estava com os bricolantes,
coração em pesado luto, no alto do sertão, de repente... um pavão.
Não sei onde que foi, mas era um pavão, um bicho de menos de um metro de altura
engaiolado em uma espécie de viveiro enorme e espaçoso e amplo e largo e
...de repente ficou pequeno;
porque pavão abriu leque - ostentando poder, destilando elegância,
insuflando inveja, ambição, admiração - tantos ões!
Todos, ao redor do viveiro, aglomeraram-se em transido silêncio
leque aberto de pavão - percebi - machucava pontas das penas na tela
(eu disse que viveiro ficou pequeno)
majestade - o orgulho natural de quem sabe ter porte para tão grande amplidão.
Pavão fascinou. Pavão misterioso. Em silêncio abriu leque. Silencioso manteve-se.
Todos, ao redor, em estática quase adoração.
Deixei de translumbrar-me com a pavoíce - eram as pessoas boquiabertas que me fascinaram.
Silenciosos, como se em contida reverência respeitosa a toda a soberba realeza do pavão.

Pavão é bicho de encantar e silenciar.

Entendi paixão das pessoas pelos pavões.

Iludida de mim!
Assim era eu que pensava assim...
mas... saber de uma mulher embarcando com seu pavão, animal de apoio, em um avião...

Juro que não entendo mais nada!
como que pode um bicho que causa silêncio respeitoso ser o animal de apoio de alguém?
(acho que bicho mais interessante ainda é o homem)

E fico cá imaginando se pavão não tem é um segredo em cada uma de suas penas!
por isso que nos quedamos tão mudos no esplendor do leque aberto de um pavão!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

[poesia] [quando tu olhas]



quando tu olhas
mas tens preguiça de olhar
porque sabes que um olhar, 
apenas um olhar,
já te vai doer pacas
e as pálpebras se abrem lenta
e desesperançadas já
cansadas de tanto abrir olhos
para ver o que nunca quis ver
vontade de fechar olhos
e tornar a fechar mente
mas mente não permite
coração atoleimado teima
porque tu sabes
não é hora de desistir
mas de erguer braços
arregaçar mangas
respirar fundo
e continuar a lutar
mais do que nunca,
é necessário lutar, ainda.

[poesia] [coração de quem mora em cidade]

clic_ttmacambira

coração de quem mora em cidade
em metrópole
vira autômato regulado pelo tempo
máquina ordenada
engrenagens funcionais
funções medidas e calculadas
sem arritmias nem descompassos
- até quebrar.
Porque tudo, um dia, acaba.

[poesia] GuaTy


amantes de verdade
querem mais que beijo
querem mais que trepar
querem mais que chupar
querem mais que sexo
amantes de verdade
querem o abraço
porque abraço é que braços dizem
da saudade
do carinho
da cumplicidade
da ternura
da confidência
do compromisso
do indizível
é o abraço que diz do corpo todo
(inclusive do momento do sexo que virá)
porque amantes de verdade
querem mais que o momento
querem a eternidade que só o abraço promete.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[poesia] Oração de vinho e chocolate

Senhora do Ar,
abençoai-nos com rosas e perfumes
para semearmos jardins,
embriagai-nos com bons vinhos
para criarmos poesias, 
adoçai-nos com chocolates
para derretermos anseios.
Iluminai-nos vida e caminhos
que possamos escolher na luz.
Que assim seja.



domingo, 21 de janeiro de 2018

Chuva


Chuva 

Gotas de prata que vem limpar telhas
umedece e ameniza o ar
Plena quarta-feira cheiinha de afazeres
Noite em casa desejando conforto e poesia.

Melhor que barulhinho de chuva molhando lá fora
é coração vermelho e branco garantindo querência
bomba do um rio sanguíneo cantando alegrias primaveris
esse Belém que me promete delícias terrenas.

Ah, essa chuvinha...

[Tetê Macambira ]

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

[poesia] mais uma da Loba

Eu escrevendo.
Loba sobe na cama e se senta à minha frente com focinho de quem comeu e não gostou.
Faço cara de desentendida (até porque não entendo cachorrês).
Ela suspira de leve e resolve agir: aconchega-se ao meu lado e mete a cabeça nas minhas pernas enquanto afasto computador para os joelhos.
Afago-lhe um pouco e torno a digitar.
Ela empurra o computador com o focinho, pretendendo afastá-lo.
....
Como não rir dessa moleca? - em meio à risada, pego-lhe a orelha e torço de leve e "comando" um "Para com isso, sua moleca!, senão arranco tua orelha fora!"
Ela suspira, afunda-se em preguiça e deixa quieto.
Algum dia aprendo com ela a reivindicar tão docemente o que desejo e a aceitar tão placidamente quando não puder obter.
Eu, aprendiz de uma Loba da cidade.
[Tetê Macambira]

PLEONASMOS ZODIACAIS

Ariano inquieto
Taurino bon vivant
Geminiano loquaz
Canceriano tímido
Leonino vaidoso
Virginiano perfeccionista
Libriano criterioso
Escorpiano sensual e vingativo
Sagitariano aventureiro
Capricorniano econômico
Aquariano irreverente
Pisciano multipolar

- percebi que você dizer seu signo é dar, por tabela, todo um pré-julgamento que irão, doravante, te impor. E ai de ti, infeliz filho zodiacal, acaso fujas muito rasgadamente da sina de pertencer ao teu signo! Tratar logo de se justificar rapidinho com Marte neste outro signo, Vênus em outro, Júpiter em um terceiro, Io em um quarto... ops! Io, não! - Io é lua de Júpiter... 
Enfim, pobre vítima do zodíaco, aceita que a dor é menor! aceita logo que você tenha a impetuosidade ariana, que você é do tipo que se joga e para de fingir timidez, que ariano não é tímido! - a não ser que você tenha lua em Câncer... será?!...
E, Touro, quer fazer o favor de parar de fazer dieta? Todo taurino come (nos dois sentidos!) bem; amantes dos prazeres da cama e da mesa, dieta nunca rima com os filhos saudavelmente corpulentos de Taurus - só se tiver ascendente em Sagitário...

E por aí vai...
Percebi que dizer o signo é pré-determinar o que esperam de ti.

[poesia] olhar de Loba


Saber olhar.
Simplesmente, parar e olhar.
E permitir que te olhem.
Sorrir-se e sorrir-lhes.
Serenidade: na postura e no olhar.
De onde se está
podemos ver longe
podemos sentir o tempo escorrendo
podemos nos sentir sendo nós mesmos.
Saber olhar
é ir além da visão:
vai na perceptibilidade
ancora nas sensibilidades
desembarca no sentir.
Saber olhar é ver com alma e coração.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

[poesia] eu em pedaços

eu em pedaços



um pedaço de mim, apenas
porque sou feita de pedaços
tenho pedaços de mim que são microscópicos
outros que ocupam quase todo meu território-eu

tenho pedaços que mostro, ostento até!, às mídias
outros, mais significativos e menos proativos, aos amigos
(embora haja pedaços que nem eu identifique de mim em mim)
e porque também estou sempre em procura de mim mesma
(mas quem é que não está, não é mesmo?)

saber mais de vocês
estar atenta a vocês
e exercitar meu falar pela metade, apenas
(difícil mesmo é uma tagarela tardia feito eu exitar nisso)
porque creio seja ainda a melhor forma de apreender vivências
afinal, como dizem, ter duas orelhas e uma só boca
há de significar que se deve ouvir mais e falar menos
ou, como digo, falar a metade do que se ouve.


uma teoria de aprendizagem
uma técnica de autorreconhecimento
: uma prática de alteridade.

um trecho de minha biografia para este trecho de translação.

mas principalmente porque agora quero ouvir mais vocês
um exercício para a vida
Um pedaço de mim para este pedaço de ano que se inicia;
- porque aos pedaços é que se constrói o todo.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

[crônica] Anotar no papel

Sou dessas que ainda curtem anotar no papel. Reconheço a questão ecológica - e até faço uso! - das agendas virtuais, mas nada como abrir uma agenda do ano e verificar os dias vindouros.
Não é bibibi de nostalgiazinha, é praticidade mesma!
1 - não precisa, necessariamente, de eletricidade (a não ser à noite 😜);
2 - não precisa de acesso à internet;
3 - visualização mais rápida;
4 - permite anotações, rasuras;
5 - gosto de colar o papel de bombom ganho, ou a etiqueta da roupa, ou o lacinho da calcinha que caiu na pressa de tirá-la;
7 - exercitar a escrita manual traz benefícios às articulações dos dedos depois de tanta digitação;
8 - confere maior credibilidade anotar o compromisso na agenda física do que somente em recursos virtuais;
9 - exercito a caligrafia (enferrujando com tanta digitação); e, finalmente,
10 - melhor apresentação e tem mais charme!
😎
Pode ser mania, pode ser costume, pode chamar, até!, de estilo, mas um 2017 em que lhe aboli o uso me rendeu mais esquecimentos do que o normal. Porque ainda é mais fácil e rápido abrir a agenda do que acessar a internet.
2018, este ano não quero mais perder tantos compromissos e/ou eventos como em 2017.
Agenda 2018, eu vou te usar! 😉