quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

[poesia] mais uma da Loba

Eu escrevendo.
Loba sobe na cama e se senta à minha frente com focinho de quem comeu e não gostou.
Faço cara de desentendida (até porque não entendo cachorrês).
Ela suspira de leve e resolve agir: aconchega-se ao meu lado e mete a cabeça nas minhas pernas enquanto afasto computador para os joelhos.
Afago-lhe um pouco e torno a digitar.
Ela empurra o computador com o focinho, pretendendo afastá-lo.
....
Como não rir dessa moleca? - em meio à risada, pego-lhe a orelha e torço de leve e "comando" um "Para com isso, sua moleca!, senão arranco tua orelha fora!"
Ela suspira, afunda-se em preguiça e deixa quieto.
Algum dia aprendo com ela a reivindicar tão docemente o que desejo e a aceitar tão placidamente quando não puder obter.
Eu, aprendiz de uma Loba da cidade.
[Tetê Macambira]

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