sábado, 25 de abril de 2015

Ruas Molhadas



Andando nas ruas molhadas
Os vidros pingados guardam chuvas
Os sonhos ficam úmidos
As lembranças são esquecidas
Dívidas, nunca perdoadas
E nem precisa de mais nada
Além de se atravessar em distância lassa
 (Tetê Macambira)

apontando


Apontar lápis 
para apontar sendas 
                    caminhos 
                    estradas.... 

chegadas.


(Tetê Macambira)

Café de Leve



Feito de café e imaginação eu te esperei Camus.
As asas da liberdade são leves e evaporam.
Voa... Em fluidas alas permeando teu estado de necessário despertar
Flui do fluido enegrecido para abrir os olhos e respirar esta manhã tão clara
Prometida absurdamente ao pensamento
Existia inevitavelmente ao sortilégio das figuras
Voa longe... Mas voa desperta.
E, de leve, desperta-se em si.


(Tetê Macambira & Leonardo Costa)

Convite à Luz





Encarno em te olhar 
Eu, LaRouge,
A que capta tua luz 
A que fixa teu ser
A que tocas com prazer.
Vem que te faço maior
Vem que me faço tua.
Irresistivelmente carmim
à espera de um clique teu.
Visei em ti
Obedeço a teu toque.
Estou na pilha!
Vem e deixa-te de pose!
(Tetê Macambira)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

botas e livro no absurdo mofo

Sol. 
Couros e celulose banhando-se de calor. 
Antítese entre sair e ficar
Botas pedem estradas
Livro pede casinhar
- mas, ambos dividem esperança
sair de cena esse absurdo ácaro
e serem em si mesmos
apenas o a si-mesmos.

(Tetê Macambira)




Couros ao sol

Umidade tanta
Couros mofando
Beijos quentes de sol
Calor desta manhã quente
Estender couros e espantar melancolias
O cálice de vinagre aguardando novas chuvas.
Eu, no estio deste deserto me saio de mim.

(Tetê Macambira)

o amor é um cão doido engarrafado


E fica assim:
tu amas tens obsessão queres manter prender
isso é posse, é territorialismo terrorismo
o amor é o sentimento mais mal dito
o amor é o sentimento mais maldito
o amor consome litros de uísque à cowboy
e caixas e caixas de cervejas geladas
e não desaprega não desapega não despega
álcool floresce doentiamente amor
"- Mas isso não é amor!" - É. Diferente do ideal, mas é.

(e quem dirá qual o melhor método de se amar?
e quem será imbecil para dizer que crê na infinitude de tudo?
e quem será corajoso para gritar "Abaixo a ditadura do amor!
que para ser feliz não é preciso estar com alguém!"?
e quem não quer crer na felicidade plena e constante como se sofrendo de aneurismas contínuos?)

- talvez que amor decepcione porque todos exigem mais do que ele possa ser.

E me vêm pedirem conselhos.
- Oi?!!...
Povo! fosse boa em consultório sentimental, estava com alguém, né não?!

Amor é a ilusão que se cria do real cotidiano.
Ninguém quer amor média requentada dia clareando.
Todos querem amor uísque à cowboy da madrugada.

Todos querem amor como um cão fiel - mas cão doido
Todos querem a vida engarrafada no álcool para preservar
Todos querem no peito um cão doido engarrafado

Eu? - Curei-me bem ali. Quero isso mais nem.
Licencinha, meu branco e meu moreno e meu índio,
Que tenho que dormir que despertador meu toca é cedo.

(Tetê Macambira)

prometendo te molhar


(Tetê Macambira)

quem mandou tu te ires?
quem mandou tu voltares?
quem que mandou, heim? heim?

não sabes que humor teu muda clima até?
não sabes que teu coração é barômetro?
não sabias e nem-nem para nada disso, né? né?
agora, pior! e taí!
tu podes que ver mal madrugando
e  já céu fechandinho-se
todo em nuvens úmidas que pesam
:céu de alegre que estava
todo agora a se arrumar pro choro!

- égua de ti, maninho!

sobre tardes e bombons



Um doce adoçar de tarde
Mesmo que isento em álcool
As promessas de construir-se
(ô promessa sem jeito!...)
Os desejos de entrar em cena
(e quede tempo para?)
As manhas da fenilalanina 
As tardes plenas de letras revistas
Klimt guarda respostas - no olvido
Meu Camus é vida e dia e asas
Sim, eu sei que "O Sísifo é você!!!"
E você sou eu chocolate amargo
Recheio quase que licoroso
Mas o Camus que traíste tem ciclos todos
talvez que sim; isso a estudar-se
uma engrenagem mudando de lugar
desenrolar de uma sentença
três moedas te pedem que te construas
Cartas na mesa: as que esqueci, as que falaste
Dúvidas roem teu eu mais interno porque assim escolheste
(podes não querer afirmar, mas é assim sim)
e o argelino me diz para ser feliz sem crer em felicidade
por isso busco a leveza.. a insustentável leveza de ser.
Tu te ressentes de um ideal não realizado
(mas qual ideal é que se realizou?)
"- Sonha, poeta! Tua loucura é santa!"
Quero ir para casa.ônibus em greve.Um absinto me faz sentir-me gente
Tanta poesia de leve no mundo!
E mais uma que vai chegar. Bem-vinda
(com direito a hífen não caído)
Mas eis que fujo de teu olhar felino de querer crer
e temendo por ser amiga de teu passado que já passou
tu me olhas, por baixo de cílios e cabelos cortados
procurando me entender em penas flutuantes
Gostar não é possuir menos ainda ter.Gostar é querer o bem no outro.
(ainda que sem um meu nisso daí)
Assim existe a construção da alteridade em dentro de nós.

Tarde acabou. noite chegou. Casa esperando. Hora de saborear o bombom que não comi ainda.
Boa noite, Gato. Bons estudos.Eu, em vias de trabalhos vários.

(Tetê Macambira)