quinta-feira, 16 de abril de 2015

sobre tardes e bombons



Um doce adoçar de tarde
Mesmo que isento em álcool
As promessas de construir-se
(ô promessa sem jeito!...)
Os desejos de entrar em cena
(e quede tempo para?)
As manhas da fenilalanina 
As tardes plenas de letras revistas
Klimt guarda respostas - no olvido
Meu Camus é vida e dia e asas
Sim, eu sei que "O Sísifo é você!!!"
E você sou eu chocolate amargo
Recheio quase que licoroso
Mas o Camus que traíste tem ciclos todos
talvez que sim; isso a estudar-se
uma engrenagem mudando de lugar
desenrolar de uma sentença
três moedas te pedem que te construas
Cartas na mesa: as que esqueci, as que falaste
Dúvidas roem teu eu mais interno porque assim escolheste
(podes não querer afirmar, mas é assim sim)
e o argelino me diz para ser feliz sem crer em felicidade
por isso busco a leveza.. a insustentável leveza de ser.
Tu te ressentes de um ideal não realizado
(mas qual ideal é que se realizou?)
"- Sonha, poeta! Tua loucura é santa!"
Quero ir para casa.ônibus em greve.Um absinto me faz sentir-me gente
Tanta poesia de leve no mundo!
E mais uma que vai chegar. Bem-vinda
(com direito a hífen não caído)
Mas eis que fujo de teu olhar felino de querer crer
e temendo por ser amiga de teu passado que já passou
tu me olhas, por baixo de cílios e cabelos cortados
procurando me entender em penas flutuantes
Gostar não é possuir menos ainda ter.Gostar é querer o bem no outro.
(ainda que sem um meu nisso daí)
Assim existe a construção da alteridade em dentro de nós.

Tarde acabou. noite chegou. Casa esperando. Hora de saborear o bombom que não comi ainda.
Boa noite, Gato. Bons estudos.Eu, em vias de trabalhos vários.

(Tetê Macambira)  

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