quinta-feira, 16 de abril de 2015

o amor é um cão doido engarrafado


E fica assim:
tu amas tens obsessão queres manter prender
isso é posse, é territorialismo terrorismo
o amor é o sentimento mais mal dito
o amor é o sentimento mais maldito
o amor consome litros de uísque à cowboy
e caixas e caixas de cervejas geladas
e não desaprega não desapega não despega
álcool floresce doentiamente amor
"- Mas isso não é amor!" - É. Diferente do ideal, mas é.

(e quem dirá qual o melhor método de se amar?
e quem será imbecil para dizer que crê na infinitude de tudo?
e quem será corajoso para gritar "Abaixo a ditadura do amor!
que para ser feliz não é preciso estar com alguém!"?
e quem não quer crer na felicidade plena e constante como se sofrendo de aneurismas contínuos?)

- talvez que amor decepcione porque todos exigem mais do que ele possa ser.

E me vêm pedirem conselhos.
- Oi?!!...
Povo! fosse boa em consultório sentimental, estava com alguém, né não?!

Amor é a ilusão que se cria do real cotidiano.
Ninguém quer amor média requentada dia clareando.
Todos querem amor uísque à cowboy da madrugada.

Todos querem amor como um cão fiel - mas cão doido
Todos querem a vida engarrafada no álcool para preservar
Todos querem no peito um cão doido engarrafado

Eu? - Curei-me bem ali. Quero isso mais nem.
Licencinha, meu branco e meu moreno e meu índio,
Que tenho que dormir que despertador meu toca é cedo.

(Tetê Macambira)

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