terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Alexandra Martins Costa e seu sonho poético



a moça azul desceu ao mar
era um belo e calmo mar efervescente de chuvas
a moça azul levava consigo fósforos e carvão
e lá abriu fogueiras cálidas como as chamas do coração
eram três as graças e bondosas amigas da moça azul
elas chegaram, as três, iracundas e bravias e e diziam
- Não, Cian, não pode abrir fogos dentro de mares!

Cian, a moça azul, aturdiu-se... havia de apagar - como?
(mas e ela que abrira fogos com tanto desvelo e carícias?
mas e ela? que nem mal fizera, apenas aquecera ali?
mas e ela? que mal havia nisso tudo? por qu~e tanta braveza?)

E única forma de apagar fogos dentro de mar era chorar por cima de
porque eram fogos abertos de com carícias, de com vontades,
- e que não apagavam assim de nada e com nada, tinha que ter um a mais.
E esse mais eram, propositadamente,  lágrimas de amigas.

E as três graças, as três bondosas,a s três que eram uma,
choraram em uníssono por sobre os fogos, apagando-os
um por um, chama por labareda, faísca por fumaça,
lágrimas caindo no fogo e apagando calor calores.

A moça Cian, azul blues por fazer amigas chorarem
tão sem graça por tê-las obrigado a esse desprazer
subiu para cima e para fora do mar e de seus fogos,
agora apagados e para - talvez -  nunca mais.

- Hora de acordar para fora do mar e de sonhos.

(adaptação: Tetê Macambira)

foto de Elisa Alencar

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