Reminiscências de forma vaga de algo que houve - ou não
ao amigo Emanuel Régis
Academicismos etílicos ou mezzo etílicos ( embora eu nunca tenha entendido como o italiano consegue ser tão diferente do português, mesmo sendo tão parecido ao português - diferente do espanhol, que já me disseram ser uma nulidade aprender uma língua e que mais parece estarmos a falar a nossa de forma errônea - o que eu tive que concordar, ainda que meio de contragosto, quando me fizeram ler em espanhol (ou castellano), mas terminemos este parênteses que já está se alongando por demais da conta) ao redor da mesa e entre nós dois, amigos de letras e de versos. Na parte mais alta e mais distante daquele cantinho acadêmico havia dois amigos se reencontrando após uma longa invernada e superadas brigas e discussões.
Dizer que essoutro ou aqueloutro seja ultrapassado, é fácil por demais, meu caro! Basta dizer. Mas cadê aqueles outros que se põem na sequência ou mesmo na contracorrente? Quem são? existem, porventura? Ah! tuas ideias não correspondem aos fatos.. (Cazuza nessa hora tão inapropriada). Mas entende-se perfeitamente o não apreciares por ir de encontro ao teu ideário de perspectiva, de linha de pesquisa. OK. Aceitável bem, até. E, aliás, que linha , heim!! ou essa tua! - original por até além.
Mas teu tempo reduzido... estranho te ter agora por tão pouco. Habituara-me a falar contigo sobre o que eu quisesse dizer e sempre que me fosse possível. Sinto falta das nossas conversas. Mesmo das desavenças (para bem veres a que ponto a saudade chegou cá em mim). Tuas ideias, embora eu nem sempre concorde com elas, me fazem falta. Amizades assim não morrem nem com o tempo. Que o digam meus pouquíssimos amigos de longa data que permanecem meus amigos - apesar de mim (sim, ainda repito esta frase minha; meus amigos bem que a merecem). Esse teu tempo curto e ainda dividido por questões e vaidades alheias a nós dois. Mas três horas de viagem hão de minimizar isso, creio. Ponha água no feijão e avisa tua esposa... qualquer dia... estou chegando.
Rotas alteradas, rosas maceradas. Ouço ainda blues e jazz e rock e reggae e erudita e mais. Não há mais quintais em meus amanheceres. Que são agora pontuais feito o toque repetititvo do celular (feito aqueles despertadores de R$ 1,99 que se vendiam nas calçadas e cujo trinado continuava até morrerem pilhas) que me lembra de que virei operária-padrão; das 7h20 às 11h, toda manhã sagrada de trabalho. Outra vida, outra lida, outra coisa.
Mas e essa ditadura da companhia. Ah, maldita mpb e esse ultrapassadíssimo medievalismo romântico! É impossível ser feliz sozinho. Um: não existe essa coisa de felicidade. Dois: se houvesse, seria mais perfeitamente possível ser feliz sozinho, posto que não se depende de outrem. Isso é lógica pura. Creia-me: estou melhor do que jamais estive. Só. E bem. De verdade. Não é por não estar apoiada em um outro, como se fosse uma aleijada em cima de uma bengala, que isso não me faz estar bem. Uma psicóloga certa vez desabafou comigo que as pessoas que não gostam de ficar sós é porque não gostam da própria companhia. Concordo. E faço assim. Estou em um relacionamento mais do que sério - e certamente fiel e leal - comigo mesma. Espaço para um outro? - pode até ser, mas. Como uma outra pessoa já me disse, doutra feita: não estou procurando - mas também não estou evitando. Mas esta minha vida! tão cheia, tão repleta, tão plena que não me cabe mais em nada de nada. Talvez, por isso... (e tome minhas tão odiadas reticências, mas vá lá! afinal, trata-se de um texto puramente confessional e dentro da filosofia dos achismos, entonces !)
E a literatura. O desenvolver do meu estilo; a maciez da escrita da caneta que te fiz testar é a similar à do estilo que estou à cata em meu fazer literário. (não que este texto seja algum exemplo disso, longe disso! - por favor!). Um texto que flua com a insustentável leveza da palavra. A delícia em palavras bem colocadas e bem dispostas - que importam os ditos e as ideias, se as palavras são tão bonitas?!? - eh ! hehehe... brincadeiras de amarelinha e de contrapontos; cortázares & huxleys em meu caminho. E não somente eles. Muitos me ensinando até o como não fazer. o mercantilismo das letras me alertando com sinal vermelho o preciosismo (tão meu particular de leitora que se iniciou na biblioteca de casa mesmo, com a coleção completa e encadernada dos romances de Alencar. E quando ela me diz que falar comigo, é como se estivesse lendo Alencar, fico toda a me sorrir. Obrigada, Cazuza! Você sempre será - como bem decretou dom Pedro II ao saber de sua morte - um homenzinho teimoso. Tão teimoso que até hoje é válida a sua leitura. ), outros me mostrando o que pode ser possível. Tudo é material de pesquisa. A vida em si, ela também. Os bares da cidade, os que jamais visitaria, os que nunca entrarei, os que nunca entrei, os que deixei de frequentar - são tantos os bares desta vida.
E falando nisso: obrigada por me reaprumar aos locais que abandonei. Voltando e já. Coisas demais que nem foram ditas e tantas outras expressas em silêncios.
Boa viagem! - que a gente se reencontre e tenha mais ideias em mente e em vozes.
(Tetê Macambira, em 03 de agosto de 2014)

Nenhum comentário:
Postar um comentário